Perderam: Walter Pinheiro, Wagner e Lula

27 10 2008

Quando se quer agradar diz-se que não houve derrotados e que o grande vencedor foi o povo, foi a democracia. É impossível, no entanto, se aplicar a expressão às eleições em Salvador. No nosso caso, perderam Walter Pinheiro, Jaques Wagner e Luiz Inácio Lula da Silva. Perderam porque se auto-proclamaram imbatíveis. Subestimaram a capacidade de aglutinação dos adversários e a inteligência do eleitor. Ironicamente, Pinheiro e Wagner defenderam durante boa parte da campanha,no primeiro e no segundo turno, a verticalização do poder,sob o argumento de que o petismo em série – municipal, estadual e federal – facilitaria o entrosamento entre eles e,com isso, os resultados de ações positivas chegariam mais facilmente à sociedade. Ledo engano.
   Por três décadas ou mais experimentamos esse sistema no nosso Estado. Um sistema perverso conhecido profundamente pelos prefeitos que estiveram sob o manto do carlismo. O último deles,o hoje tucano Antonio Imbassahy, sabe bem do que estou falando. Por mais que ele não admita e por mais que não goste quando o assunto vem à tona, Imbassahy era conhecido como um mero secretário a serviço do governador de plantão. A prefeitura se resumia a uma repetição totalmente dependente do Palácio de Ondina. Tanto é assim que a Conder, órgão estadual, funcionava como uma prefeitura paralela, responsável pelas chamadas grandes obras do antecessor de João Henrique.
   Aliás, o atual prefeito teve de andar com as próprias pernas nesses quase quatro anos, já que só recebeu migalhas nos dois primeiros anos de Paulo Souto e em quase dois anos de Wagner.Felizmente teve no governo federal um parceiro mais atuante e voltado às necessidades da capital. João pode não ter trazido para Salvador o que a cidade reclamava, mas tornou a capital autônoma política e administrativamente, sem tutores e sem donatários.   Além de João, consagra-se toda a cúpula do PMDB,em especial Geddel Vieira Lima e o presidente da legenda,Lúcio Vieira Lima, que em nenhum instante tergiversaram ou temeram a derrota. Geddel sai fortalecido e com cacife suficiente para disputar o governo baiano em 2010. Ele consolida sua liderança política no plano local e nacional. Nos momentos mais tensos da campanha, manteve a serenidade, transformou-se em “Geddelzinho paz e amor” Agora pode correr para o abraço. Agora pode beijar Wagner – só não acredito que Wagner deseje o carinho – e quem mais desejar. Quem sabe pode até beijar o presidente Lula.Confirmada a vitória de João, o PT deve repensar os seus métodos, rever seus critérios políticos e mostrar que verdadeiramente está com Salvador não retaliando-a nem ao seu prefeito.
   Assim, quem sabe, pode surgir um novo PT. Um PT sem ranço, sem radicalismos e sem estrelismos.
  


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