Segurança das urnas eletrônicas é questionada por especialista

25 07 2008

As eleições de outubro trazem novidade a três municípios brasileiros: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a testar as urnas eletrônicas de votação que identificam os eleitores por suas impressões digitais. Por enquanto, a inovação será experimentada somente em Fátima do Sul (MS), São João Batista (SC) e Colorado d’Oeste (RO). Com arrojo, a meta da Justiça Eleitoral é organizar dados biométricos dos eleitores de todo o país nos próximos dez anos, um projeto orçado em R$200 milhões. Passada mais de uma década da implantação no Brasil, no entanto, as urnas eletrônicas ainda são questionadas no item segurança.

A Justiça Eleitoral garante que a votação eletrônica é segura. Mas procura meios de aperfeiçoar a inviolabilidade do voto. O sistema de identificação por impressões digitais do eleitor dispensa a necessidade de apresentação de documentos. O cadastro, neste caso, inclui a fotografia dos eleitores além de suas impressões digitais, projeto que conta com o apoio da Polícia Federal.

Autor do livro Fraudes e defesas no voto eletrônico, que permite ao eleitor compreender as garantias do sistema eleitoral e ajuda os partidos políticos a desenvolver esquemas de proteção contra fraudes eleitorais, o especialista em segurança de dados Amilcar Brunazo Filho acredita que a mudança no sistema para identificação por impressões digitais não resolve a questão da segurança na votação: “As urnas eletrônicas são completamente passíveis de adulterações. Não são confiáveis. Não permitem sequer uma recontagem nos votos. Com isso, torna-se difícil, até mesmo, comprovar as ilicitudes”, afirma o engenheiro.

Crítico feroz do atual modelo de votação, Brunazo destaca o fato de o sistema brasileiro ter sido rejeitado em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos, Holanda e Paraguai. A identificação por impressões digitais, segundo ele, não elimina as deficiências. Ao contrário, abre precedente para questionamentos sobre a inviolabilidade do processo eleitoral. “A implantação do novo sistema ajuda a evitar que um eleitor se passe por outro, mas não elimina aquela que é considerada uma das maiores falhas do atual sistema: o grau de vulnerabilidade que oferece em relação ao sigilo do voto”.


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